Massa crítica na bola
Os politicos portugueses têm protagonizado um deprimente espectáculo, comparado a um jogo de ping-pong, bola cá bola lá, ora batida longa e com força, ora curta e com efeito, às vezes enrolada e traiçoeira(.) ora lá, ora cá, mas, neste jogo, porém, em vez da bola lançada por uma raquete, são baforadas de fogo e fumo cuspidas entre o governo e a oposição.
O árbitro, alegadando nada poder fazer, segue o jogo da sua cadeirinha, ansioso, desconfortável, aparentemente atento, à espera do final.
Entretanto, o “Zé Povinho” deprimido de tanto ouvir falar em crise mobiliza-se solidário com a jovem geração à rasca, em demonstrações de rua, cartazes originais, vozes afinadas, convocado por televisões e “feicebuques”. As notícias referenciam o evento como a maior manifestação de rua desde o 25 de Abril. O povo aparenta estar feliz, não se sabe bem porquê. E volta a casa. Certamente com a consciência aliviada – alguma coisa se fez, caramba! – mas intimamente convicto da sua absoluta inutilidade. Cansado mas com plena convicção do dever cumprido!
E eis que, um tanto inesperadamente, o jogo político entre governo e oposição atinge o climax: o governo demite-se, fez mal as contas e, afinal, vai a Bruxelas estender a mão à caridade
Paradoxalmente, enquanto vivemos dias difíceis na política, o desporto português aporta um novo ânimo ao país: três equipas de futebol atingem as meias-finais da Liga Europa e um tenista os “quartos” do torneio de Monte Carlo.
Curiosamente, tanto as equipas de futebol como o tenista são orientadas por treinadores portugueses! Prova inequívoca de competência, rigor, capacidade de planeamento e organização. Dir-se-ia que a massa crítica em (absoluta) falta no mundo dos politicos abunda entre a malta da bola.
Fosse a nossa crise social e a anunciada bancarrota económica uma doença psicológica que as nossas conquistas desportivas seriam um excelente placebo.
Belmiro de Azevedo, o segundo maior empregador em Portugal (porque o maior é obviamente o estado), explicou ontem, em entrevista à RTP, o que falha na governação: planeamento e rigor!
Pois, afinal é mesmo o que parece, os senhores ministros foram a jogo sem o preparar e o resultado foi um governo que não soube conduzir o país. Mas, possuímos treinadores de futebol portugueses capazes de o fazer!
Apetece-me dizer que o país está entregue às mãos erradas. Como cidadã portuguesa apelo ao Sr presidente para que nomeie um governo de sua iniciativa com o Domingos Paciência a chefiar porque, com escassos recursos tem obtido excelentes resultados e, já agora, ministérios importantes para Vilas Boas e Jorge Jesus!
Sem comentários:
Enviar um comentário